Diário

Shut up and drive

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Sou dessas que não conta coisa boa para ninguém antes que ela seja realmente concretizada. Acabei de sair do exame prático de carro e já posso contar que consegui passar e finalmente tirei esse peso das minhas costas.

Desde que eu tinha 18 anos venho adiando esse momento por pura preguiça. Todo mundo falava que era um saco frequentar às aulas, que demorava e, na minha cabeça, baliza era um monstro de sete cabeças pronto para me devorar, assim como a rampa. O que acabou me preocupando foi outra coisa, coisa que nunca deveria ter acontecido.

Não é novidade, para quem é mulher, que a todo momento nossos olhos ficam atentos para qualquer perigo que se aproxima quando vemos um homem. Antes mesmo de eu começar a fazer as aulas práticas, a vontade de ter uma mulher me ensinando ao invés de um homem passou pela minha cabeça algumas vezes. Acontece que na auto escola em que eu fiz todo o processo não tinha nenhuma instrutora. Acabaram me colocando com um homem. Pensei muito se postaria isso por aqui, já que provavelmente esse ser vai ver porque durante uma conversa a trouxa aqui foi falar que tinha um blog e ainda citou o nome.

Contei do meu blog porque eu costumo tentar ser o mais simpática possível com as pessoas, aprendi isso com os anos para tentar quebrar essa cara de brava que eu tenho. Aprendi a puxar assunto e a não responder apenas o que as pessoas perguntam. No primeiro dia de aula já percebi algumas coisas estranhas – contato físico. Duvido muito que ele pegue na mão de alunos homens enquanto eles estão com a mão no câmbio ou que dê a mão para eles sempre que fazem algo certo.

Duvido muito também que enquanto alunos fazem baliza eles se sintam incomodados que o instrutor esteja encarando-os como se estivesse admirando alguma coisa em sua face. Isso tudo seguido de apelidos carinhosos como “gata”, “gatona” e por elogios “você é linda demais”.

Eu juro que tentei imaginar que era apenas o jeito da pessoa, mas acabei percebendo que aquilo era assédio. A relação entre professor e aluno deve ser extremamente profissional e contato físico ou liberdades que não foram dadas ao professor, com certeza não fazem parte do pacote. Fiquei com nojo. Sei que não sou a única mulher a ter passado por isso e isso dói.

Acabei mudando de instrutor, posso dizer que foi a melhor decisão que já tomei. O segundo me ensinou com todo respeito do mundo, respondendo todas as minhas dúvidas e, em nenhum momento, fiquei desconfortável e mais preocupada em estar dentro de um carro com um completo desconhecido do que em realmente aprender a dirigir.

Não tive coragem de agradecer esse instrutor falando tudo que estou escrevendo aqui, só disse um “muito obrigada” quando o examinador disse que eu tinha passado no teste prático. Mal sabia ele tudo que estava por trás desse agradecimento.

Para finalizar esse post, também quero falar que eu SEMPRE achei que eu ia reprovar várias vezes nessa porcaria de exame prático. Quem me conhece sabe que eu sou a pessoa mais perdida desse mundo e malemá sei empurrar um carrinho de mercado em linha reta. Já estava me preparando para a derrota, mas eu consegui. Pode parecer pequeno, mas é uma coisa que eu nunca imaginei que eu conseguiria de primeira, dirigir para mim era uma coisa tão distante. Isso me faz pensar em todas as coisas que eu digo para mim que não sou capaz de fazer e que, na verdade, era apenas o medo falando por mim.

Um beijo.

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2 Comments

  • Reply mariah 26/12/2015 at 7:27 pm

    Nossa !!! Super me identifiquei, demorei dois anos pra começar a tirar a cnh, quando finalmente fui, depois de tanto enrolar. Minha primeira prof era mulher, me deu três aulas, amei ela, mas ela saiu da escola e veio um outro no lugar, ele super fazia as mesmas coisas, falava, chegou ate perguntar se eu estava sozinha em casa, dizia que a mulher dele ”não aprisionava ele em casa”, dava um nojo!!! mas por fim terminei as aulas em uma semana e preferi não trocar de instrutor pq iria demorar mais e meu prazo estava vencendo :/

    • Nathália Fontes
      Reply Nathália Fontes 12/02/2016 at 10:03 pm

      Nojo dessas situações que a gente tem que passar. Realmente espero que o cara que me deu aula tenha aprendido a lição…

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