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Au Pair, Diário, Intercâmbio

Um mês nos Estados Unidos

Ontem fez um mês que eu cheguei nos Estados Unidos. Já faz algum tempo que não pareço por aqui, mas estava esperando as coisas se ajeitarem e eu me adaptar direito para poder voltar a escrever, que é uma coisa que gosto muito.

Faz um mês que deixei todas as pessoas que eu amo para trás e vim viver um sonho muito maior do que apenas morar em outro país. Já fazia um belo tempo que eu me sentia estagnada no Brasil, na realidade eu não consigo enxergar muito futuro para mim no lugar em que nasci. Não me leve a mal. Eu amo o meu país, com todo o meu coração, mas talvez seja aquele tipo de amor que você precise ficar longe para continuar amando.

Faz um mês que resolvi sair da minha zona da conforto que cada vez mais aumentava minha ansiedade, para vir, sozinha, em um lugar completamente desconhecido e com pessoas que eu apenas havia conversado por Skype. Apostei na sorte e me dei muito bem. Me sinto grata por tudo ter dado tão certo, por ter pessoas tão boas na minha estrada por aqui e, acima de tudo, me sinto orgulhosa de ter me permitido passar por esse desafio que é sair do conhecido, do que a gente ama e já está acostumada.

Quanto mais a gente cresce, mais a gente percebe que são poucas pessoas que te querem bem. Quantas vezes ouvi pessoas duvidando da minha capacidade e praticamente dizendo que eu era fraca para conseguir chegar até aqui? Que eu estava jogando fora meu diploma de jornalista para ser babá. Acontece que minha visão é muito maior do que a dessas pessoas. Prefiro cuidar dos meus meninos e ter essa experiência maravilhosa em outro país do que ficar trancada em um escritório no Brasil e odiando cada segundo. Se você tem um sonho, seja fazer um intercâmbio como o meu ou não, nunca dê ouvidos para quem apenas quer te puxar para baixo. Na maior parte das vezes a pessoa só está refletindo suas próprias inseguranças em você. Já que ela não é capaz, você também não pode ser.

O importante é erguer a cabeça e ir atrás do que você quer e do que te deixa feliz. Eu vim atrás de mudanças e independência. E você, o que quer para a sua vida?

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Shut up and drive

cluelessquote

Sou dessas que não conta coisa boa para ninguém antes que ela seja realmente concretizada. Acabei de sair do exame prático de carro e já posso contar que consegui passar e finalmente tirei esse peso das minhas costas.

Desde que eu tinha 18 anos venho adiando esse momento por pura preguiça. Todo mundo falava que era um saco frequentar às aulas, que demorava e, na minha cabeça, baliza era um monstro de sete cabeças pronto para me devorar, assim como a rampa. O que acabou me preocupando foi outra coisa, coisa que nunca deveria ter acontecido.

Não é novidade, para quem é mulher, que a todo momento nossos olhos ficam atentos para qualquer perigo que se aproxima quando vemos um homem. Antes mesmo de eu começar a fazer as aulas práticas, a vontade de ter uma mulher me ensinando ao invés de um homem passou pela minha cabeça algumas vezes. Acontece que na auto escola em que eu fiz todo o processo não tinha nenhuma instrutora. Acabaram me colocando com um homem. Pensei muito se postaria isso por aqui, já que provavelmente esse ser vai ver porque durante uma conversa a trouxa aqui foi falar que tinha um blog e ainda citou o nome.

Contei do meu blog porque eu costumo tentar ser o mais simpática possível com as pessoas, aprendi isso com os anos para tentar quebrar essa cara de brava que eu tenho. Aprendi a puxar assunto e a não responder apenas o que as pessoas perguntam. No primeiro dia de aula já percebi algumas coisas estranhas – contato físico. Duvido muito que ele pegue na mão de alunos homens enquanto eles estão com a mão no câmbio ou que dê a mão para eles sempre que fazem algo certo.

Duvido muito também que enquanto alunos fazem baliza eles se sintam incomodados que o instrutor esteja encarando-os como se estivesse admirando alguma coisa em sua face. Isso tudo seguido de apelidos carinhosos como “gata”, “gatona” e por elogios “você é linda demais”.

Eu juro que tentei imaginar que era apenas o jeito da pessoa, mas acabei percebendo que aquilo era assédio. A relação entre professor e aluno deve ser extremamente profissional e contato físico ou liberdades que não foram dadas ao professor, com certeza não fazem parte do pacote. Fiquei com nojo. Sei que não sou a única mulher a ter passado por isso e isso dói.

Acabei mudando de instrutor, posso dizer que foi a melhor decisão que já tomei. O segundo me ensinou com todo respeito do mundo, respondendo todas as minhas dúvidas e, em nenhum momento, fiquei desconfortável e mais preocupada em estar dentro de um carro com um completo desconhecido do que em realmente aprender a dirigir.

Não tive coragem de agradecer esse instrutor falando tudo que estou escrevendo aqui, só disse um “muito obrigada” quando o examinador disse que eu tinha passado no teste prático. Mal sabia ele tudo que estava por trás desse agradecimento.

Para finalizar esse post, também quero falar que eu SEMPRE achei que eu ia reprovar várias vezes nessa porcaria de exame prático. Quem me conhece sabe que eu sou a pessoa mais perdida desse mundo e malemá sei empurrar um carrinho de mercado em linha reta. Já estava me preparando para a derrota, mas eu consegui. Pode parecer pequeno, mas é uma coisa que eu nunca imaginei que eu conseguiria de primeira, dirigir para mim era uma coisa tão distante. Isso me faz pensar em todas as coisas que eu digo para mim que não sou capaz de fazer e que, na verdade, era apenas o medo falando por mim.

Um beijo.

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