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Intercâmbio, Work & Travel

Trabalhe nos Estados Unidos – Três anos que embarquei

Dia 9 fez três anos que embarquei na maior loucura da minha vida: fui sozinha para outro país e fiquei por lá três meses. Muitas vezes quando fecho os olhos e penso nisso não sei dizer se foi um sonho ou não. Essa época do ano me deixa muito nostálgica então resolvi trazer para o blog um pouquinho do que eu ainda lembro desse momento tão maravilhoso que passei morando nos Estados Unidos.

O intercâmbio que fiz foi o Work and Travel (ou Work Experience) e passei três meses no Colorado sendo Ski Concierge (depois explico) em um hotel pra lá de luxuoso em uma montanha. Um tempo atrás até gravei uns vídeos falando sobre isso no blog mas acabei apagando porque achei que a qualidade de som e imagem estavam péssimas, me perdoem. Prometo que o próximo vídeo será falando um pouco disso e vou separar por partes para explicar tudo para quem se interessar.

No post de hoje vou falar só sobre o lugar que eu morava, pois se abordar outros assuntos é capaz de ficar gigantesco e vocês desistirem de mim. A princípio, fui para os Estados Unidos para morar em Avon, no Colorado, mas acabou que eu morava mesmo é em Edwards, uma cidadezinha ao lado de Avon. Isso aconteceu porque essas cidades são minúsculas. Isso mesmo. Da última vez que chequei Avon tinha em torno de uns 6 mil habitantes. Meu canal no Youtube tem mais gente que essa cidade hahaha.

Hotel ryco que passei maior parte do meu tempo

Como a cidade é muito pequena, as opções de moradia são… praticamente inexistentes. Como ia ficar apenas durante o inverno, ninguém alugava casa para nós já que o contrato exigia pelo menos um ano de permanência no local. Foi aí que acabei em Edwards.

Avon, Edwards e Vail são tão próximas quanto um piscar de olhos. Eu trabalhava em Avon (meus amigos moravam lá também), morava em Edwards e passeava na linda Vail. O transporte público de lá é muito bom e chega a surpreender com a pontualidade, coisa que né, nunca vi em ônibus daqui do Brasil. Resumindo, apenas uma linha conseguia me levar nessas três cidades, então não tinha que ficar me preocupando com nome de ônibus (e ainda assim consegui me perder um dia).

O frio é de congelar suas extremidades, mas eu ficava encantada mesmo era com o céu que estava sempre o mais azul possível e sem nenhuma nuvem. Por mais que fosse frio, achei que era bem mais suportável do que o frio que passei em New York. A neve é um show à parte. Escolhi o Colorado justamente porque queria ver neve, achei que sair daqui e ir para a California, por exemplo, não ia ser uma experiência completa. Neva todos os dias praticamente no inverno. Tem dia que você vai sair de casa e a neve vai estar no seu joelho. Sem contar a armadilha de satanás quando ela começa a derreter e praticamente vira uma pista de patinação e você cai de bunda no gelo.

Vista em frente ao hotel que eu trabalhava

Avon, de acordo com o Wikipedia, é uma cidadezinha com um pouco mais de 6 mil habitantes. Lá fica o hotel maravilhoso que eu trabalhava, o The Ritz Carlton Bachelor Gulch. Como uma boa cidade com poucos habitantes, minha diversão por lá era ir no Walmart hahahah. Tinha alguns bares gostosos e uns restaurantes com preço acessível para a assalariada que aqui escreve. Assim como Edwards, Avon tem bastante morador estrangeiro. Acho que dá para contar nos dedos de uma mão quantos americanos eu encontrei pela cidade.

Vista que eu tinha quando saía de casa

Edwards eu não conheci muito além do local que eu morava. Fui uma vez no cinema que tinha por lá e comi algo em algum restaurante que me pesou uns 200kg no estômago depois. Por mais que eu morasse em uma área “pobre”, a casa era bem bonitinha e a paisagem me deixava hipnotizada todas as vezes que eu colocava os pés na rua: eu era muito grata por estar ali.

Vail e seu céu azul maravilhoso

Vail parece que saiu de um catálogo de férias de gente ryca. É uma vilazinha aconchegante que você só vê gente bonita e turistas e, como consequência, coisas bem caras. Meu passatempo favorito por lá era visitar a pizzaria Pazzo’s, que tinha um cardápio que cabia no meu bolso e uma pizza bem gostosa. Também tem uma pista de patinação (que obviamente nunca fui) e um cinema com serviço de comida. Pensa em uma torta de chocolate gostosa, era servida dentro do cinema antes do filme começar.

Bom, vou terminar o post por aqui porque ele já está gigantesco. No próximo eu conto um pouco sobre como era o meu trabalho e como escolhi essa vaga. Espero que tenham gostado e qualquer dúvida é só deixar um comentário!

Um beijo.

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Intercâmbio, Work & Travel

Vídeo: Work & Travel #3 – Trabalho

Olha só quem resolveu parar de preguiça e fazer um vídeo sobre intercâmbio! Eu estava viajando e fiquei um tempinho longe do blog, mas agora vou atualizar com mais frequência. Nesse vídeo eu falei um pouco sobre a escolha do trabalho, como era o meu trabalho e dei algumas dicas na hora em que você for escolher o seu.
Eu trabalhei no hotel The Ritz Carlton em Avon, no Colorado. Passei muito frio, o Colorado é maravilhoso, mas extremamente gelado no inverno. A cidade que eu morava era muito pequenininha, na verdade eram várias cidades pequenas uma perto da outra. Eu morava em Edwards, trabalhava em Avon e passeava em Vail.
Embora seja uma cidade pequena tem coisas bem legais para fazer, Vail é uma cidade que merece um post só para ela de tão linda que é, tem vários barzinhos legais, restaurantes e algumas baladas (na verdade era só uma, eu acho) e que se você tiver vinte e um anos ou mais, com certeza vai poder aproveitar bastante.
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Escolhi algumas fotos do lugar que eu trabalhava pra vocês verem como eu não minto em dizer que era um dos lugares mais bonitos que eu já vi na minha vida, por mais que eu estivesse cansada de trabalhar, ou mal humorada por estar acordando cedo naquele frio, eu parava pra olhar onde eu estava e tinha um sentimento muito bom por estar sendo privilegiada em ver isso todos os dias:

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Beleza, Intercâmbio, um pouco do que penso

Forever 21 e nossos pequenos impostos

 Essa semana não se falou de outra coisa a não ser a abertura da primeira loja Forever 21 aqui no Brasil. Faz muito tempo que eu navego pelo site (com certeza não sou a única) e fico desejando todas as roupas e sempre fiquei inconformada com o fato de uma loja dessas não fazer entregas no Brasil. 
 Esse ano tive a oportunidade de conhecer de fato a loja e os produtos, fui na Forever 21 de Denver e na de New York. É uma loucura. Uma loja enorme em que você se perde e não sabe o que já viu, o que falta ver e ao mesmo tempo não tem mais mão e nem braço porque já está tudo lotado de coisas para experimentar, mas nunca é o suficiente. Quando você bate os olhos nos preços sempre quer levar mais alguma coisa. 
 E aí que esse paraíso em forma de loja resolveu dar as caras por aqui, no nosso humilde país e o medo de todas as consumistas fervorosas como eu era que o maior atrativo da loja, o preço, seria deixado de lado já que com o tanto de impostos que pagamos por aqui tudo fica (muito) mais caro. 
 Quando eu cheguei nos Estados Unidos ainda tinha o hábito de converter meus dólares em reais, era dinheiro do meu pai, então eu tinha dó de gastar com coisas banais e pensava duas vezes se eu pagaria aquilo em reais. A partir do momento em que eu comecei a trabalhar e ganhar o meu próprio dinheiro, parei de converter. É como se aquele dinheiro se tornasse a sua moeda também e você não vê mais necessidade de estar convertendo o tempo todo, pois não trocou aqui no Brasil e não pagou mais que o dobro por apenas um dólar. 
 Quando você deixa de fazer a conversão de dólar para reais é que você percebe o quão injustos são os impostos que pagamos no nosso país, isso já é de conhecimento de todos, mas quando você viaja para o exterior e vê com os próprios olhos que o dinheiro começa render, diferentemente daqui, te causa uma grande revolta. 
 Essa revolta está presente todos os dias, quando você passa pela vitrine e vê coisas que aqui custam o olho da cara, por exemplo, uma roupa da Aeropostale, Hollister ou qualquer outra marca que virou modinha e sinônimo de “status”, lá não custa quase nada e as pessoas simplesmente não dão bola para isso e não transformam essas baboseiras em símbolo de riqueza. Sinto te dizer, você que usa Abercrombie como uniforme e acha que isso ostenta seu dinheiro e te deixa mais cool, lá fora sua camiseta não significa absolutamente nada. Está na hora de perder esses conceitos ridículos. 
 Outro fato que chocou foi quando a Sony lançou o Playstation 4 e o nosso preço era apenas 4 mil reais, quem não tem esse dinheiro para gastar com um videogame, não é mesmo? Nem se eu tivesse esse dinheiro todo eu pagaria esse valor, acho um desrespeito. Fui viajar com a ideia de comprar um celular novo, o meu já estava pra lá de Bagdá e só funcionava quando queria, então achei que era uma ótima oportunidade. Eu trabalhava cinco dias por semana e recebia meu salário a cada quinze dias. No meu primeiro pagamento eu consegui comprar um Galaxy S4, quando isso aconteceria aqui? Trabalhei pouquíssimas horas em comparação ao que eu teria que trabalhar aqui para conseguir pagar o que esse celular custa. É extremamente revoltante. 
 Outro produto que me pediram quando eu estava viajando é o Aussie, um hidratante pro cabelo que eu só fui descobrir que estava bombando por aqui muito tempo depois, quando minha amiga me mandou uma imagem de uma loja virtual e o preço era R$50. Até ri quando vi, pois paguei menos que três dólares. Sim. E quem vai pra lá tem a coragem de revender por cinquenta reais e ainda dar seguimento a essa palhaçada. 
 Pra provar o quanto paguei, tirei uma foto da prateleira do Walmart (minhas melhores compras de beleza e os melhores preços):



 Mas enfim, todo esse papo enrolação foi para dizer que pelo menos dessa vez os impostos não foram tão injustos e já podemos comemorar porque os preços da Forever 21 são bem acessíveis, agora é só torcer para que ela se espalhe por todo país.
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Intercâmbio, Work & Travel

Intercâmbio – Como é o meu trabalho?

Quando estava escolhendo a vaga de trabalho a primeira coisa que eu pensei foi em não trabalhar em uma estação de ski. Não sei bem ao certo porque tomei essa decisão, mas achava que ia ser um trabalho chato e sem nada a acrescentar.
É muito difícil ir para outro país para trabalhar em algo que não faz parte da sua área, digo, vou ser jornalista, esse trabalho não tem nada a ver com o que eu quero ser.
Mas por outro lado é uma boa escolha para quem deseja ter uma ótima experiência profissional no currículo, o hotel onde trabalho, por exemplo, é considerado um dos melhores do mundo. Isso conta bastante.
Antes de chegar aqui eu sabia que iria trabalhar ajudando os hóspedes com as botas e os skis. Era apenas isso que eu sabia. É óbvio que eu já tinha em mente que não ia ser uma maravilha sempre. Trabalhar é assim, uma dia você gosta e outro você odeia.
O que eu faço aqui é trabalhar pra muito hóspede preguiçoso. Posso trabalhar em três coisas diferentes no meu emprego: ficar na neve pegando skis, lá fora recebendo e colocando as botas nos hóspedes ou em uma garagem levando as botas e os sapatos quando eles pedem.
Até aí tudo bem, prefiro muito mais ficar quentinha e levando bota do que ficar lá fora congelando e sendo simpática o tempo todo com as pessoas. Acontece que esse trabalho está completamente errado.
Não sei bem ao certo porque tudo está tão absurdo assim, mas a garagem em que as botas são guardadas fica longe do lugar em que os hóspedes as solicitam. Pra mim isso é muita burrice. Querem que a gente leve as botas o mais rápido possível, mas se esqueceram que há uma escada de vinte degraus no meio disso. Além do fato de ter que muitas vezes carregar umas cinco botas no ombro, subir as escadas, passar pelo lobby, desviar do povo que insiste em ficar conversando no meio do caminho e então chegar ao terraço.
É um trabalho que me testa todos os dias. Muitas pessoas que se hospedam aqui não merecem o dinheiro que tem. Já teve gente que trabalhava comigo que se demitiu porque um hóspede cuspiu em seu rosto, isso mesmo, cuspiu.
Sempre penso que a vida se encarrega de dar uma lição para essas pessoas e agradeço sempre que posso pela educação e pelo caráter que meus pais me deram, nem se eu tivesse todo o dinheiro do mundo eu humilharia alguém que está trabalhando e tentando ganhar seu dinheiro. Eu estou aqui para me divertir, não preciso desse dinheiro para sustentar uma família, mas tem quem precise, e digo que são muito mais merecedores de respeito do que ricos que acham que o mundo gira ao seu redor.
Tudo isso com certeza tem me feito uma pessoa melhor. Ganho bem, trabalho que nem uma louca, mas ao mesmo tempo tenho a oportunidade de ver o quanto que eu tive sorte de ter uma família maravilhosa e que soube me educar para eu não me tornar uma dessas pessoas esnobes que encontro todos os dias.
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