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um pouco do que penso

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Na minha época a internet era discada

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Esses dias eu me peguei no meio do meu quarto, com as luzes apagadas e girando mais que o pião da casa própria com o meu celular na mão. Descobri o vídeo em 360º, já conhece? Provavelmente estou atrasada nisso e devo estar parecendo aquela tiazona que descobre que dá pra tirar printscreen da tela do celular (tia eu já sou, só falta meu sobrinho crescer mais um pouco para me zuar).

Se você não está entendendo nada do que eu estou falando, explicarei: agora existe uma nova tecnologia (câmera?) que permite que vídeos sejam gravados em 360º e o mais legal de tudo isso é que enquanto você mexe seu celular, a imagem da tela vai mudando. Se você olhar para cima, verá o céu, para baixo, o chão.

E eu fiquei chocada. Se alguém viesse do futuro e me falasse que dali uns 15 anos eu estaria no meu quarto que nem uma besta rodopiando vendo curta de terror em 360º com medo de olhar para trás e ver um bicho feio no vídeo, eu iria rir da cara da pessoa. Veja bem, não sei quantos anos você tem, mas eu tenho só 24 anos (aquela que se sente a jovem) e eu fico boba em pensar o quanto a nossa tecnologia avançou desde que eu me conheço por gente.

Isso me faz pensar no meu pai me falando que na época dele ele tinha que ligar para uma telefonista para poder ligar para uma pessoa. Imagine o que ele sentia enquanto falava comigo por Skype quando eu estava morando em outro país. É muita loucura. Quando eu era beeem novinha meus pais compraram o primeiro celular da família e aquilo era uma coisa MUITO moderna. Parecia um tijolão preto, não mandava nem mensagem, apenas recebia – e eram mensagens da operadora, obviamente. E a luz dele era amarela e a possibilidade de jogar o jogo da minhoquinha era inexistente.

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Lembro também a conquista que foi para a minha pessoa quando meu pai resolveu colocar Speedy aqui em casa. Antes disso eu ficava esperando dar meia noite (escondida porque tinha aula no dia seguinte) para poder entrar na internet. Ou quando era fim de semana e alguém tentava ligar em casa e nunca conseguia porque o telefone estava ocupado o dia todo já que a internet era discada. Aproveito esse post para mandar um beijo para a minha irmã que quando queria ligar para o meu cunhado ficava apertando o gancho do telefone até a internet cair. A delícia de não ser filha única.

Mas o que me deixa mais abismada ainda é saber que meu sobrinho, que hoje tem cinco anos, já nasceu em um mundo COMPLETAMENTE diferente do que eu conheci e que ele não sabe e nunca vai saber como é a vida sem internet. O bichinho já sabe mexer melhor que eu em algumas coisas e isso é parte da vida dele – todos os dias. A gente percebe  que está ficando velho quando se vê falando aquelas frases que tanto ouviu seus pais falarem para você. Já me imagino falando para ele: “Na minha época eu tinha que esperar cinco horas para baixar uma música”.

E o mais doido disso tudo? No futuro vou ler esse post e achar toda tecnologia de hoje ultrapassada.

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Me diga o que você escreve anonimamente que eu te direi quem você é

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Eu tive uma disciplina na faculdade (não me perguntem o nome, sou aquele tipo de pessoa que quando sabe o nome do professor, não sabe o nome da matéria e vice-versa) em que o professor passou uma atividade que consistia em você pegar um papelzinho do seu caderno e escrever coisas boas e ruins sobre qualquer pessoa da sala de aula. Anonimamente.

Não é novidade que o anonimato dá um falso poder para muita gente que não tem coragem de expressar seus verdadeiros sentimentos. Lembram do Formspring (ou Ask)? Aquilo era uma chuva de comentários maldosos que não tinham nem mesmo uma assinatura pra gente dar uma resposta digna.

Enfim, acontece que eu nem estava na minha turma. Na época eu estava com algumas matérias atrasadas por causa do intercâmbio e estava assistindo as aulas com outra turma. Se eu conversava com quatro pessoas daquela sala era muito e eu era amiga de apenas uma. De quem eu escolhi falar qualidades e defeitos? Dessa pessoa. A única que eu realmente conhecia a ponto de saber apontar tais defeitos e saber que não iria magoá-la, pois a mesma já sabia de tudo aquilo.

Nunca fui o tipo de pessoa que fica dando risada à toa, que é extremamente simpática e coisa do tipo. Sempre fui muito tímida e as pessoas tomam isso como “arrogância”, entre outros adjetivos nada legais. Com o tempo eu deixei de me importar. É óbvio que eu já sabia que entre aquele monte de papeis iria ter um falando sobre a minha pessoa. Dito e feito.

Não me lembro ao certo o que estava escrito, mas era algo como “arrogante”, “se acha” e “antipática”. Só lembro disso, mas era daí para pior. Na hora que escutei aquilo eu comecei a rir e fiquei imaginando (confesso que ainda penso nisso) quem poderia ter escrito já que eu sabia que as pessoas que eu conhecia naquela sala não tinham escrito sobre mim.

Hoje eu vejo que essa atividade pouco me fez ver como as pessoas me enxergam, mas me fez perceber o quão pequenas as pessoas podem ser. Se eu tenho a oportunidade de falar algo anonimamente para uma pessoa, eu fico quieta. Aprendi que só conheço aqueles que me relaciono e não tenho o direito de julgar quem eu nem conheço. Posso não gostar da pessoa, mas nunca perco meu tempo deixando uma mensagem inútil para ela.

Eu não me importo mais com o que as pessoas pensam de mim, a gente aprende isso conforme vai ficando mais velha. Só fico pensando o que acontece com quem recebe comentários maldosos e se permite ser sugado por isso. Se eu pudesse responder essa pessoa que perdeu seu tempo escrevendo sobre mim naquela aula, eu diria: A pessoa que você julgou ser arrogante não tentou ofender ninguém quando teve oportunidade. Faça uma análise de você mesmo. Verá o quão pequeno(a) você é.

Um beijo,

e só absorvam coisas boas na vida, o resto a gente abstrai.

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E se…

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E se eu tivesse ido embora antes que me beijasse? E se eu tivesse escolhido sair de casa aquele dia em que fiquei deitada olhando para o nada? E se eu tivesse decidido tudo ao contrário? Como estaria a minha vida? E se eu tivesse me amado mais? E se eu nunca mais me perguntasse “e se…”?

Eu e esse meu grande costume de ficar deitada na minha cama com o olhar fixo no teto criando histórias na minha cabeça em que fantasio um mundo completamente diferente baseado nas escolhas que fiz até hoje. A vida é feita de escolhas. Você renuncia um caminho quando escolhe outro. E é aí que me pego pensando na infinidade de vidas que eu poderia ter tido se tivesse feito apenas uma escolha diferente.

O bater de asas de uma borboleta do outro lado do mundo pode mudar o curso natural das coisas. Qual será que foi a escolha que me fez ser o que sou hoje? Aquele “te amo” que guardei? As lágrimas que chorei? Uma porção de “tchaus” que dei?  Quantas vidas alterei? Efeito borboleta – se eu mudar o que comi no jantar, o  que será que na minha vida irá mudar?

Das mil vidas paralelas em que me imagino, sempre me pergunto se em alguma delas eu estaria mais feliz. Eu sei que felicidade é um conceito relativo e o que pode parecer feliz para mim, para meu eu paralelo deve parecer a morte. Eu não troco meu inferno pelo seu paraíso. Até mesmo porque não mais ter o meu paraíso se tornaria o meu inferno.

Tem uma frase que li por aí que gosto bastante e muito me ajuda nessas situações: tudo aconteceu exatamente do jeito que deveria acontecer. E é isso. Não existe “e se…”. Não existe escolha errada. Todas escolhas que fazemos são exatamente o que precisamos naquele momento, o que precisamos em nossa vida. O bom de tudo isso é olhar par trás e saber identificar qual foi o bater de asas de borboletas que mudou curso da sua vida. Para sempre.

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Lolitas, Anitas e Big Brother

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Sim, eu assisto Big Brother e não, isso não me faz uma pessoa sem inteligência alguma tendo em vista que eu só assisto para o meu entretenimento. Mas o assunto que vou abordar aqui hoje não é essa discussão ridícula se esse programa é bom ou não.

Se você assiste deve saber do barraco que rolou entre a Ana Paula e o Laércio. Se você não assiste e está completamente alienado (já que todo mundo anda falando disso por aí) eu explico: Ana Paula surtou com Laércio (um senhor de 53 anos) porque não aguentava mais os olhares maliciosos que ele lançava para ela e para as outras meninas da casa. Em outros momentos ficou se gabando de como gostava de sair com “novinhas” fora da casa, dizendo até mesmo ser “efebófilo”. Esse termo é novo para mim e quando fui pesquisar me deu um nojo de ler aquela definição – ser efebófilo significa que você sente atração por meninas que estão na puberdade ou acabaram de passar por ela. Nojo.

Ontem foi dia de eliminação e ainda bem que esse tarado saiu da casa, mas eu fiquei passada com o que o Pedro Bial falou em seu famoso discurso de eliminação. Enquanto falava de Laércio, Bial comentou sobre as “Lolitas” e “Anitas” daquele homem. Veio a calhar de eu estar justamente lendo Lolita e estava até com o livro na mão quando escutei tal absurdo.

Para quem já leu esse livro sabe que é o relato de uma mente doentia de um homem que se sente atraído por uma menina de apenas 13 anos e o livro todo ele descreve suas fantasias com essa menina e tudo que passa pela sua mente pervertida. Estou lendo esse livro porque já sei do que se trata (recomendo que vejam o filme também) e muito me interesso em saber o que se passa na mente doentia desse homem. Enquanto leio a minha expressão de choque não sai do meu rosto.

Ao falar que Laércio tem suas “Lolitas”, Bial meio que romantizou toda uma situação abusiva e pedófila. O livro Lolita nada tem de bonito e romântico. Assim como não tem nada de normal um homem de mais de cinquenta anos se sentir atraído por meninas que malemá saíram da puberdade. Me lembro muito bem de sentir uma repulsa extrema ao passar na frente de um senhor que mora aqui perto da minha casa e que eu já sabia que gostava de meninas novinhas, o medo que eu sinto ao vê-lo me assombra até hoje. Se eu o vejo, mudo de calçada.

Gostaria que as pessoas parassem para analisar toda uma situação antes e julgar a Ana Paula como louca, histérica. Ela foi a única pessoa que enxergou que Laércio esconde uma mente doentia que se atrai por jovens garotas. Gostaria também que a sociedade parasse de romantizar casos assim, nos quais meninas muito novas se relacionam com homens muito mais velhos. E se você leu o livro Lolita e achou normal tudo que ali leu, sinto muito, mas você entendeu tudo errado. Ser Lolita não é um elogio, muito pelo contrário, é algo que dá repulsa e medo.

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